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domingo, fevereiro 29, 2004




A casa dos meus sonhos

A propósito do Mondego Village, uma vila do estilo americano a nascer nos arredores de Coimbra, pela qual me apaixonei, vou tentar descrever a casa dos meus sonhos…
Não sonho com grandes castelos nem os construo no ar.
Na minha casa tenho que sentir aquele sopro de felicidade… abro as janelas de manhã e banho-me de verde. Verde? Verde, poderá ser um sorriso carinhoso, uma boca que mal posso esperar por beijar. Poderá ser um abraço que me assegura que o meu dia vai ser maravilhoso e que mal vou poder esperar para chegar novamente ao meu recanto. A minha casa pode ter um, dois ou três andares… mas tem que ter mil fotografias espalhadas por onde passo, que relatem todos os momentos em que fui mais feliz. A minha casa pode ser fria, quente, mas será sempre onde me alojarei quando a vida me parecer trovejante. Na minha casa pode haver lugar para muita gente, mas pelo menos terá que ter sempre lugar para dois, e estes amar-se-ão eternamente.

Zi

sábado, fevereiro 28, 2004




Ar TV

Já nem sei o que me parece lógico…
Ontem estive a ver um bocadinho do parlamento à hora do almoço.
Confesso que me baralho… As conversas são do género:
Indivíduo 1: Vossa Excelência fez A e tenho aqui B para provar!
Indivíduo 2: Vossa Excelência está enganado… Eu fiz C e tenho aqui D para provar!
Indivíduo 3: Vossas Excelências não sabem o que dizem… Foi feito E e tenho aqui F como prova!
Estes encontros mensais no parlamento deveriam ter como finalidade elucidar o país do que se passa a nível governamental no mesmo. E afinal o que fazem é baralhar ainda mais o que já percebemos pouco.
Estão muito interessados em ser populares. Parece que estão a tirar o “pai da forca”. Cada um diz o que lhe interessa e não é punido por mentir. Estão sempre a tentar arranjar mais e mais desculpas para dar em como são viáveis os gordos ordenados que levam no fim do mês. O que lhes interessa é serem eleitos. Será sempre assim. O ser humano é egoísta. O que é que eles querem? Que o país vá para a frente? Desenvolva? Ou comprar uma casa na quinta da marinha, uns quantos carros de colecção, viajar q.b. ?
E o povo fica muito incomodado quando certas decisões impopulares são tomadas. Para bem ou para mal pelo menos dou-lhes o crédito por baterem o pé, por não darem “mama” aos eleitores que lhes proporcionam a bela vida que levam.
Com tantas “Excelências” que passam pelo parlamento, não há uma que na efectiva acepção da palavra, o seja. Que governe um país sem pensar apenas em seu próprio benefício.
A seguir ao presente, virá outro governo apenas interessado em ganhar os louros perdidos com medidas antipáticas. Só podíamos ter alguém a governar devidamente se esse alguém das duas uma: Ou tivesse um grande padrão moral e ético ou então que soubesse que não iria ser destituído do cargo. Ambos as ocorrências são quase impossíveis de se verificar…

Zi

terça-feira, fevereiro 24, 2004




Queria escrever sobre o Carnaval mas não me ocorre grande coisa e não tenho muito tempo... mas aqui ficam umas linhas:

É o regabofe de Fevereiro, mês festivo, quente, sequinho e curtinho!
Depois dizem que só critico… mas cabe na cabeça de alguém andar a festejar, semi-nu, no meio da rua, a chover a potes, com um frio de rachar e a adiposidade a dar a dar?

Zi

sábado, fevereiro 21, 2004




Toni – O Típico Português

Toni era auxiliar de educação numa escola que frequentei.
De manhãzinha, lá vinha ele com o cabelo puxado a gel, qual half-pipe encerado!
Fresquinho que nem uma alface, atira uns piropos que não entendo às colegas envergonhadas. Agita os colarinhos da camisa meio desabotoada, sacode os punhos que descobrem duas gordas pulseiras de ouro que conseguiu a muito custo. Não se cansa de mostrar o seu telemóvel pomposamente colocado no cinto das calças que não pára de tocar o “Vivó Sporting”. Enoja-me, coitado… e até é boa pessoa!
Vai ao bar da escola e venha de lá o galão e o bolo, quase sempre pastelinho cheio de chantili e creme de ovos. Cofia o bigodão farfalhudo cheio de galão e limpa a cara como o guardanapo, como se os seus olhos apreciassem o creme e o nariz o chantili. A sua camisa folclórica exibe o cordão de ouro que condiz, cuidadosamente, com as pulseiras. É, sem dúvida, um estilo meticulosamente estudado. Do bolso sai um pente ao qual noto que, tal como ao dono, faltam uns dentes. De half-pipe preparado, lá vai o senhor Toni pegar ao serviço. Sempre pronto para os palpites, para a esperteza mal amanhada, para cuspir para o chão e para limpar o ouvidinho com a unhita compridita. Caminha com as pernas arqueadas. Esta maneira de andar adivinha horas e horas de treino no corredor lá de casa. Aconchega os amigos do fundilho constantemente como se albergasse uma população de pulgas. Com a boca agita um palito tremente com o qual gosta de dirigir a orquestra enquanto fala. Olha repetidamente para os sapatos impregnados de graxa. São normalmente quadrados à frente e o seu sorriso parece perguntar: “São mesmo à maneira, não são?”. São tão diferentes das sapatilhas que usa ao fim de semana quando vai ao hipermercado passear com a família! De repente, passa os olhos pelo seu rolex comprado na feira da ladra… são finalmente horas de sair! Chegado o fim do dia, Toni pega na jaqueta de cabedal à qual nunca se esquece de ajeitar os colarinhos “à Elvis” e entra no carro amarelo que o cunhado lhe arranjou lá “na França”. Que espectáculo de aileron! E que ponteira de escape! Fico a vê-lo enquanto espero o meu pai chegar… Toni liga o rádio e põe a cassete do pisca-pisca, ajeita os seus falsos óculos “raibantes”, acelera em falso, acelera em força, arranca em grande e toda a gente da escola sabe que ali vai o Toni, o português de aqui e de “acoli”…

Zi

quinta-feira, fevereiro 19, 2004




Vítor – o arrumador

Já estou mesmo a ver o meu amigo João Vítor a chatear-se comigo porque dei este nome ao nosso amigo arrumador. Mas é preciso ver que os nomes que dou às personagens não têm nada a ver com as pessoas em quem me inspiro para escrever. Ou melhor, têm a ver indirectamente. Neste caso, o meu amigo Vítor que em bondade ninguém iguala (talvez a Di em versão feminina), é a pessoa que melhor trata os arrumadores de automóveis. Será considerada profissão? Vemo-los em todos os lugares nos quais é permitido estacionamento. Além de sermos obrigados a pagar o parqueamento ainda somos quase forçados a remunerar o amigo que se põe a gesticular e em quem muitas vezes só reparo quando já efectuei a dita manobra. Depois fica ele com cara de pedinte à espera que lhe passe uns trocados pela fabulosa ajuda que me deu. Até quando o estacionamento é em espinha. Põem-se com as mãos no ar: “Destroce! Destroce!” – mas a palavra “destroce” significa que se destrói alguma coisa. Que é o que pode acontecer aos nossos impecáveis carros que lavamos no elefante azul se não abonarmos bem estes desgraçados. Mas agora já tenho uma desculpa plausível: “Sou estudante, não tenho dinheiro”. E é bem verdade! Vivo da mesada dos meus pais. Se fosse eu a dar mesada a alguém que estivesse constantemente a reclamar do montante da mesma (como eu), ficaria tremendamente descontente se soubesse que a pessoa andava a gastá-la mal gasta. Como seria o caso porque estaria a pagar um serviço que afinal não requeri e ainda por cima não usufrui.
É preciso ter lata! Eles “andem” aí… aos pares, três a três!
Têm gorros e bonés antigos de clubes de futebol que em tempos foram famosos; olhos fundos e negros que adivinham várias noites mal dormidas ou então um soco de alguém mais irritado; barba enorme e suja que contém ainda pedaços de guardanapo dos bolos que come no café atrás do seu local de trabalho; o jornal enrolado que deve ter dois proveitos: o de papel higiénico e o de apontador dos lugares que guarda; o longo casaco de malha roto em várias malhas principalmente no cotovelo; a bolsa de cinto que se usou há uns anos e que serve para guardar os trocados (e as notas) e também os objectos afiados que utiliza para riscar os carros de quem não lhe “orienta” as moedas; as T-shirts de grupos de música revolucionários e polémicos; par de sapatos ou sapatilhas rotas que normalmente não combinam (tal como as meias); finalmente possui também, num saco de plástico escondido no bolso, as seringas, o limão, as colheres, o pó de perlim-pim-pim e tudo mais que seja preciso para entrar no estado “transe”.
Que pena que eu tenho desta gente. Mas não lhes dou mais nada. Assim alimento-lhes o vício. Talvez se apercebam que precisam de mudar de vida. É difícil mas felizmente temos instituições que se preocupam. Para essas tenho sempre os meus trocados. Trago os autocolantes para casa. Qualquer dia, em vez de ser a “madame” que “orienta” os dinheiros, sou a miúda que lhes dá um autocolante, um contacto, um abrigo num dia de chuva. Vítor: posso estacionar-te?

Zi

quarta-feira, fevereiro 18, 2004






Tenho um desejo enorme de escrever… um ímpeto doentio que não me deixa afastar das palavras e que insiste em expressar-se… Só não tenho pelo qual escrever. Se calhar até podia escrever sobre tudo, sobre como o meu mundo deu uma volta em torno de um eixo diferente e foi parar a outro lugar mais solarengo…

Zi

terça-feira, fevereiro 17, 2004




"Junta-te à T F M UC" (ler a cantar como o YMCA)

Só para avisar que ontem fui ao ensaio e A-D-O-R-E-I! Já há muito tempo que não sentia a tuna, tuna pááááááááááá! Há mínimos!!!

Zi

domingo, fevereiro 15, 2004




TFMUC 4 EVER

Tenho saudades… As saudades fazem bem. Principalmente quando me ponho a olhar para o ar e a imaginar quando estava em qualquer sítio e as saudades não me batiam à porta… Mas este saudosismo não é de ninguém em particular mas sim de um grupo enorme… o meu grupo… a minha família da universidade… a minha TUNA.
Sou uma “coimbrinha”, não saí de casa para ir estudar noutra cidade, moro com os meus pais e tinha muitas saudades deles se fosse estudar para outro sítio. Mas o que é certo é que houve uma altura do meu percurso académico em que resolvi participar activamente na grande aventura na nossa vida, nos melhores anos de sempre… Foi aí que entrei para a tuna. Inicialmente queria ir para o coro misto… mas depois descobri a fantástica TUNA FEMININA DE MEDICINA que estava em edificação. Alistei-me! Podia contar-vos a história toda, as peripécias, as amizades que fiz… Mas o que eu queria mesmo era dizer que tenho saudades de estar com todas, daqueles jantares, dos ensaios cheios, das viagens… enfim, de estarmos juntas como dantes… Agora raramente estamos. Bem sei que é época de exames mas mesmo assim, nunca nos vi tão distantes umas das outras…
Sempre foi um grupo tão animado, tão alegre… Lembram-se de termos ido a um festival e termos achado que o espírito se perdeu numa das tunas que parecia a mais unida de sempre? Nós podíamos estar cansadas, com sono, afónicas, que nunca deixámos de fazer a festa, de nos divertirmos. Tenho saudades das antigas tunas, de cantar com a Joana nos ensaios, da Regi a mandar-me calar, de aprender canções com a Queiró, da Bombas a tocar jambé, da Nê Marques a fazer de gigantone, da Rita João a auto praxar-se, da Teresa a gritar “meninaaaaaaas”, de cantar Mariah Carey com a Isabel, de aprender guitarra com a minha Di, de todas as miúdas … sei lá! Tenho mesmo saudades de quando tudo era perfeito! Até tenho saudades de ensaiar o Feitiço de Amor!!!
Miúdas… temos que voltar em força… é que… há mínimos!

Zi

sexta-feira, fevereiro 13, 2004




Para a minha outra Maria

Quantas vezes precisamos de pedir desculpa quando erramos? Se calhar, devíamos fazê-lo repetidamente, vezes sem conta como numa oração desesperada. Errar com quem se gosta é das piores coisas que pode acontecer. Ficamos sempre com a vã sensação de que não podemos mudar o curso da história e se pudéssemos voltar atrás... Se pudesse voltar atrás faria diferente mas desculpar-me-ia sempre pelo que pensei fazer um dia…
Errei contigo, Maria. Pensei de ti coisas impróprias da tua natureza. Confundi a tua genuinidade, lealdade, dedicação. Confundi coisas que afinal são próprias de mim, que me dedico às minhas amizades, às pessoas de quem realmente gosto como se não houvesse mais ninguém no mundo e as fosse perder no dia seguinte.
Quantas vezes vou ter que te repetir que me enganei, que errei, que estou triste pelo que disse de ti, do que pensei de ti. Afinal, acho que peço perdão a mim mesma pelos juízos mal formados, pelas novelas que faço que ganhariam mais audiências que as do canal da banda 4. Cada vez mais me retraio com as pessoas, cada vez mais vou aprendendo com malfeitores que me fazem coisas como aquela que te fiz…
Mas o que eu queria mesmo, minha caloirinha, era dizer-te que não podia ter caloira melhor, não podia deixar melhor legado na nossa tuna do que tu. Um dia que não possa ir mais, sei que vou ter alguém que me representará, que não me fará ser esquecida…
És tu, não poderia ser mais ninguém… gosto muito de ti…

Zi

quinta-feira, fevereiro 12, 2004




Sai um "casamento à tuga", se faz favor!

Imaginem lá do que me fui lembrar agora? Estava eu à conversa com o Bu quando, de repente, começamos a falar de casamentos. Tudo porque uma grande amiga minha se vai casar… PARABÉNS ANDREIA e (JOÃO é bom que a trates bem senão levas no trompete!). Qual não foi o ímpeto que me deu de começar a dissertar sobre o assunto: O casamento à “tuga”.
Os casamentos em Portugal têm sempre dois itens infalíveis: Uma grande seca e Comezaina que farta!
Logo de manhãzinha, para se aproveitar bem o dia, há que levantar bem cedinho para ir a casa dos pais dos noivos enfardar um paio com pão e uns croquetezinhos, rissóis e carne assada já fria… tudo o que apetece às 10h da manhã. A noiva ou o noivo estão à frente dos cortinados floreados da sala a tirar umas quantas fotografias enquanto o resto das pessoas estão a gritar dentro dos fatos domingueiros e a entrouxar que nem uns tolos para ver se não cabem neles.
Por volta do meio-dia começa-se a pensar em ir para a igreja. Lá vem o carrinho alugado para levar os noivos. Caramba, já que alugam, ao menos que aluguem uma limosine decente, como aquelas que há aos trambolhões em Nova Iorque. Vai tudo de fitinha do vestido da noiva na antena do carro e a fazer o buzinão da ponte 25 de Abril todo o caminho até à dita casa do Senhor ou coisa parecida. Chegados ao local, toca a abrir os sacos de arroz para estragar o penteado que a noiva demorou horas a conseguir, na esperança de os noivos terem escolhido a mini-missa. Qual não é o espanto quando descobrem que afinal vão assistir à maxi-missa! Lá toca a marcha nupcial… tam tam tarã! E tal e tal e tal, felizes para sempre, alguém que contrarie, lá se olha para trás, lá se perdem as alianças, depois lá se casam, na tristeza e na alegria, na saúde e doença, na riqueza e na pobreza, na presença de comando da televisão ou na falta dele… enfim… já estão casados. Arrozito para aqui, lagrimita para ali. E agora… a parte preferida!!! As fotografias nos jardins da cidade! Lá vai o regimento em peso para o jardim. Fotos com toda a gente, com o pai, mãe, primos, aqueles-que-nem-sabemos-quem-são-mas-que-dizem-ser-da-nossa-família, e os que mais aparecerem…
Finda a sessão fotográfica com o piriquito e papagaio como últimos modelos, já se podem sentar à mesa a empacotar… Sim, porque onde já vai a lambança oferecida pela manhã....
Vêm no mínimo uns 5 ou 6 pratos, com as típicas 20 sobremesas e sei lá o que mais acompanhadas do famoso grupo “pinto e filhos” a tocar o guantanamera…
Lá vai a dança à volta da mesa e os alegóricos batuques de talheres para o beijos dos noivos, dos pais dos noivos, dos padrinhos, dos filhos, o que interessa é fazer jus à tradição. No final, vão para a pensão Avelino fazer o que fizeram a vida inteira… Parabéns meus senhores… eu vos declaro Marido e Mulher...

Zi

domingo, fevereiro 08, 2004




Hoje, se calhar, vou pela primeira vez ao futebol!
Vou vestir a camisola e depois conto-vos tudo!
Académica vs Vitória de Guimarães
Escuso de dizer quem quero que ganhe! BRIOOOOOOOOOOOOOOSA!

Zi

sábado, fevereiro 07, 2004





Estou a preparar-me psicológicamente para uma valente tarde de estudo que já não tenho desde Setembro...
Habituamo-nos a tudo...mas há coisas que demoram mais tempo que outras. Qualquer dia dou-vos o meu parecer sobre a "habituação" que é uma palavra que detesto e que supreendentemente existe. Sempre que posso substituo-a por "hábito". Mas como isso agora não interessa vou ver se pego no reportório que aqui tenho de farmacologia e começo a desbravar o mundo dos fármacos para ver se nenhum farmacêutico me engana no futuro ou consegue contornar as minhas receitas... senão... mando-lhe umas vinte para me fazer ácido acetilsalicílico "segundo a arte" e lá vai ele trabalhar... coisa que o farmacêutico de farmácia de oficina não faz... mais parece um funcionário público! Mas como em tudo na vida... é claro que há excepções... e alguns dos meus melhores amigos estão a estudar farmácia!
Lá vou eu ao martírio... a parte má de ser estudante universitário... ter realmente que pegar em livros e... ESTUDAR!

Zi

terça-feira, fevereiro 03, 2004





Quote of the day

"É mais importante o que se retira de um canal do que o que nele se coloca"

Dr. Miguel, aula de Endodôncia

segunda-feira, fevereiro 02, 2004





Em memória do meu grande amigo Pê

É sempre difícil dizer adeus… Quando gostamos muito de alguém, a simples despedida, o beijo na cara, o abraço, o acenar ou o “até logo” é dito com alguma tristeza, uma pontinha de melancolia…
O que dizer de um Adeus para sempre? O meu grande amigo Pedro João Lourenço Alves Gomes partiu ontem, sem aviso e não me deixou dizer-lhe adeus. Tenho que o fazer agora em silêncio, sozinha…
Mesmo assim, não acho justo que te vás sem leres o que tenho para te dizer, Pê, antes que te percas pelas belas planícies da tua amada terra açoriana…
Que dizer num Adeus que não vai ter volta? Principalmente a ti, meu amigo, que tinhas sempre uma palavra de alento e outra de farra. Que falta me fazem as tuas palavras! Não encontro as que te quero dar…
Tu, que eras quem mais fazia em menos tempo, com uma ânsia de viver, de te afirmar, de te divertir… Aproveitavas todos os momentos. De vez em quando, telefonavas e dizias: “Olá pequenina, o que fizeste hoje?”. E eu raramente tinha alguma coisa de especial para dizer. Tu não! Tinhas sempre grandes patuscadas ou grandes negócios para contar. Ainda que mais novo que eu eras já um adulto maduro, com grandes responsabilidades. Eras tão inteligente… contigo podia falar, melhor, podia conversar. Hoje em dia já não se conversa com toda a gente. Fala-se e finge-se que se ouve. Mas nós não… Conversávamos horas a fio sobre coisas que jamais poderíamos dizer a alguém.
Chamavas-me a tua “principeza” e querias ser o meu príncipe. No fundo, Pê, chegaste a sê-lo pois nunca encontrarei ninguém igual a ti, tão puro, tão bondoso, tão amigo, tão fiel, tão tudo de bom que há no mundo…
Como terei coragem de te dizer ADEUS para sempre? Não tenho. Estou a ver as tuas fotografias e a lembrar-me daquela música que me deste a ouvir pela primeira vez: “Sevilla tiene un color especial” e estás tão presente…
Sabes o que te digo? Não te vou dizer adeus… Não vou mesmo… estás aqui, vais ficar sempre presente… nunca te deixarei partir…

Zi

domingo, fevereiro 01, 2004





Cidade FM... a evolução!

Hoje em dia ninguém tem tempo para nada. Passam a vida ou no trabalho ou em frente à televisão. Ou então, em frente a qualquer outro meio audiovisual. Alguma coisa que não dê muito trabalho, que não requeira muita atenção. É deprimente! Desenvolve-se o culto do “está quieto” ou do “não te rales”. Já lá vai o tempo em que a família se reunia à volta da telefonia depois de jantar a ouvir as notícias e música clássica.
É certo que os tempos mudaram e com ele mudaram também certas rádios que nos “esquecemos” de ouvir por só contarmos com um sentido para as perceber. A mudança que mais gostei foi até bem recente. Lembram-se da rádio cidade? Antigamente (lá vou eu ao outrora) eram as vozes brasileiras que tomavam conta da 99.7 FM (frequência aqui em Coimbra). Ao início era muito engraçado, tinha muita piada, vinha a par das novelas e do Carnaval… mas sinceramente… passado um tempo começou a nausear-me. Já não conseguia ouvir o “dá de 3” depois passou ao “dá de 10” ou “melhor de 3” ou sei lá o quê… Tinham, por certo, uma qualquer obsessão por números… A informação era um redondo zero bem como a locução… “Cidade… onze e trinta e seis”… resumia-se, novamente, a números.
Nasceu, não sei muito bem em que data, uma nova rádio nesta frequência. Certo dia, ia eu no meu carro para a faculdade e fui obrigada a parar nos sinais da cruz de celas. Mudava insistentemente a frequência do rádio à procura de uma música engraçada, que me fizesse esquecer que estava no meio do trânsito e muito provavelmente não iria ter estacionamento na Universidade. Lembrei-me de pôr outra vez na brasileirada quando começo a ouvir vozes nacionais! Deixei os botões por um pouco e surpreendentemente gostei! Fiquei quase viciada, tanto que tirei o meu velho rádio da garagem e pus na casa de banho para poder ouvir todas as manhãs. Não contente, ainda comprei um rádio novo à prova de água e coloquei uma prateleira para ele mesmo ao pé da banheira!
Resta-me agora explicar o que encontrei de novo e que me impressionou (acreditem que é difícil). Já estou farta de rádios para jovens em que se põem com uma conversa para anormais, para QIs inferiores a 50, como quem diz: “Eh pá, bué-da-fixe pá, na queima pá, não bebas muito pá, porque depois pá, não aproveitas pá” - Foi uma frase que ouvi numa rádio conhecida. Acabrunhante, não? Como costumo dizer têm aquela “típica condescendência ridícula” com os jovens. Tentam usar vocábulos que nem são próprios da maioria. Já acontece o mesmo com as crianças. Quando um adulto fala para uma criança é sempre com a emblemática linguagem do “gugu-dádá”. Mas se lhes falarmos correctamente eles levam-nos muito mais a sério e falam-nos de igual para igual. Os alunos da minha mãe contam-me coisas incríveis da vida deles. O meu vizinho de 4 anos é um dos meus melhores amigos!
Pela primeira vez ouvi uma rádio a envolver o ouvinte como se estivesse numa conversa de café. Isto sim é interactividade. Uma rádio que evoluiu. Ou que começou já evoluída. Não me lembro de me ter rido alguma vez com algo que se passe numa rádio. A não ser numa tentativa de sátira ou com pena…
E por falar nisso, tenho mesmo pena de não conseguir ouvir a CIDADE FM noutras partes do dia. Ouço sempre de manhã quando me levanto. Acreditem ou não… custa-me menos! Ouvir o Pedro Marques e a Joana Azevedo é uma bonança por ter batido três vezes com a cara na porta, estremunhada, antes de a abrir (mentira… isto nunca me aconteceu!).
Ao longo do texto utilizei muito a palavra “ouvir”. É um sentido em extinção. Todos queremos ser ouvidos… falar muito, ouvir pouco. Mas como temos duas orelhas… por favor… usufruam dos ouvidos que elas protegem e verão que ouvir uma rádio como esta não é mesmo esforço nenhum!

Zi

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