sábado, maio 22, 2004
Desafio
Desafio todos os meus amigos e leitores do blog a escreverem qualquer coisa para eu publicar. Pode ser sobre o que quiserem. Sobre o que já foi escrito, sobre o que pode vir a ser escrito, sobre problemas que queiram ver discutidos, sobre mim, sobre vocês, sobre a amizade que temos, sobre o casamento dos espanhóis, sobre as esfregonas em saldo, sobre a tinta fresca, sobre o nada com o coisa nenhuma!
Mandem para o Lumus@portugalmail.pt e eu publicá-los-ei assim que chegarem!
Beijinhos para todos e força na escrita!
Zi
sábado, maio 15, 2004
Lucky days…
Ontem fui ver Mafalda Veiga…
A saída estava mais do que planeada e às tantas tudo destroçou… foi quando o meu anjo salvador me levou à melhor das noites que começou e acabou da melhor maneira nimbada por um bafo de sorte que ecoou pelo Mondego…
À hora do concerto era de esperar que não arranjássemos lugar para o veículo transportador (vulgar carro, neste caso jipe) … percorremos a margem do rio até ao recinto ao som e imagem dos fogos de artificio… assim que chegamos ao queimódromo o espectáculo pirotécnico cessou e só tive tempo de comprar o bilhete “estudante de Coimbra” e desaparecer no meio da multidão para me perder ao som da boa música portuguesa que parecia ter esperado por mim…
Sublime!
Zi
sexta-feira, maio 14, 2004
Hoje vou até lá abaixo novamente...
Não podia perder Mafalda Veiga...
Era imperdoável!
Zi
quarta-feira, maio 12, 2004
Que sono que eu tenho!!!
Estou farta de álcool e nunca lhe toco! Estou farta de ver os meus amigos sem que nenhum me pareça o que é na verdade…
Será que ninguém se sabe divertir hoje em dia sem recorrer a uma artefacto qualquer?
Cada vez menos consigo divertir-me. Devo estar a ficar, aos 22 anos, velha que nem um trapo…
As minhas noites ao rubro numa disco da moda já passaram. Hoje em dia quero sossego… e mesmo assim fico com pena quando não saio…
Ontem fui à noite da queima… ver o amigo Quim Barreiros que diz sempre as mesmas frases, canta sempre as mesmas músicas e naquele contexto parece-me sempre novidade…
Também gostei de ouvir a Mónica Sintra berrar “briosa!”… deve ter pensado que era uma pastelaria ou então que a briosa era ela… “fosse o que isso fosse desde que fosse um elogio” … nah… esta frase não saiu nada redundante!
Aqui vou eu aninhar-me novamente nos lençóis que isto hoje não está para mais do que pedir sumos de laranja naturais sem gás, dizer a uma amiga para vir ter a um sítio em que estou com ela e encher uma banheira de shampoo em vez de gel de banho…
Fui!
Zi
segunda-feira, maio 10, 2004
Filipe – o emigrante
Emigrar também já foi moda em Portugal. Moda do “enterior desquecido e ostracizado” como diria um grande humorista português. Agora está na moda os que voltam com os seus “dinheiritos” e montam cá o seu negócio. Com os truques que aprenderam lá fora, alguns enriquecem facilmente. Foi o caso de Filipe. Veio das terras de nuetros hermanos este emigrante do norte de Portugal. Emigrou quando quis constituir família e não tinha meios de a sustentar. Queria proporcionar aos filhos o que nunca teve para ele: Comida farta na mesa. Talvez por isso me enerve ir jantar fora com esta família. Filipe pede tudo quanto há, mesmo que não apeteça, mesmo que se esteja a notar que “são mais os olhos que a barriga”. O lema é “mais vale sobrar que faltar”. Mas é compreensível… lá vem o trauma de infância em que partilhava uma sardinha com o irmão mais velho que só lhe deixava a cabeça.
Não, não consigo, por mais que pense nesta possível infância desventurada irrito-me na mesma: São as notas enormes para comprar gelados de todos os sabores que ficam nos copos cheios de gomas e de cremes que só estragam o verdadeiro gosto do gelado; são as sardinhadas, mariscadas e febradas que combinam com os amigos e quando convidam 10 encomendam guarnição que chegue para mais de 100, são as idas às lojas em que compram tudo quanto há sem saber se realmente precisam do que compram ou se há noutro sítio o mesmo produto, mais barato; São as viagens mal escolhidas aqui e ali, em que ficam no hotel a experimentar as facilidades do health club e do corte de ténis, sem conhecer os países que foram visitar; são os carros que compram pelas marcas, grandes jipes sem terem casas de campo e grandes motas para cobrir desejos de outros tempos; são as grandes casas para três que os fazem ficar o fim-de-semana inteiro a tratar do jardim e em vez de fazerem uma piscina fazem um quintalzinho para plantar covinhas.
Muito dinheiro e tão mal gasto! Habituada a esticar uma pequena mesada, o que eu não fazia com o que vejo esbanjar a torto e a direito! Não posso deixar de referir que Filipe se fartou de trabalhar. Passou noites a fio sem dormir para chegar onde chegou. Foi escravo do seu negócio. Estudou incansavelmente meios de ser bem sucedido. Começou do zero e agora gere um comércio que lhe rende milhares. Era moço de recado e agora é patrão de bigode farfalhudo. Manda e desmanda sem nenhum jeito para tal. Quer humilhar porque já foi humilhado, quer competentes por sempre o foi e quer respeito sem se dar a tal o que é muito difícil de conseguir.
É engraçado o modo como se tenta adaptar. Tenta vestir-se como as pessoas do novo meio que frequenta. Mas é ridículo porque não tem pingo de bom gosto. Compra peças iguais às que vê noutras pessoas, mas depois conjuga-as mal, e lá põe meia branca e sapatinho de verniz e biqueira quadrada. Fatos de grandes marcas e etiquetas de fora. De vez em quando lá solta o estrangeirismo, mesmo depois de tanto tempo em Portugal. Como aquele da praia a chamar o filho Jean Pierre em francês. Depois chateou-se e vira-se para o miúdo no bom da língua de Camões: “Ó João Pedro, ou vens aqui, ou parto-te os cornos”.
Apesar de conviver várias vezes com ele acho-o um bocado antipático. Mas como gere um local público quer fazer-se amável e agradável, todo bem-parecido e cativar com as suas longas conversas de adormecer alguém com a pior das insónias. Não se livra é da minha crítica por não confiar em ninguém. Devemos ter o pé atrás, salvaguardar-nos de sofrimentos e desilusões, mas má cara com quem já deu mais que provas de amizade, a isso chamo eu mau feitio e antipatia. Vieste do estrangeiro mas porta-te como português que és se faz favor, umas “bejecas”, umas asneiras, futebol e somos todos amigos!
Zi
terça-feira, maio 04, 2004
O que é que “estar preso” quer dizer?
Estar preso significa que se está à mercê de quem se gosta. Estar preso significa que as pessoas de quem gostamos podem fazer o que querem de nós… Podem magoar-nos e podem pedir desculpa que nós aceitamos só para não ter que as ver chorar… Podem deixar-nos mais do que tristes, desgostosos, amargurados mas vão ser sempre alguém a quem nos prendemos e com quem jamais queremos quebrar esses laços.
Estar preso traduz-se naquela mágoa que se sente quando nos desiludimos com alguém… na vontade de estar com quem nos magoou só para nos sentirmos melhor, para nos lembrarmos de quando estava tudo bem e a pessoa nos parecia perfeita…
Estar preso faz arrastar mágoas pequeninas que se vão manifestando ao longo do tempo… pequenas grandes mágoas que fomos esquecendo porque estávamos presos…
Zi