terça-feira, março 29, 2005
Socorram a Polícia!
Socorro! Acudam! – gritava o Américo. Quem é o Américo? Que pergunta…
Américo é o “Xô” guarda. Tive um professor na faculdade que tinha a mania de substituir a palavra “senhor” por “xô”. Foi com ele que aprendi o significado do “xô” que se ouve de vez em quando numa esquina…
Também de quando em vez, numa esquadra, lá aparece o “xô” Américo. De bigode emproado, dirige-se aos demais queixosos de Portugal, puxando as calças pelo cinto e em tom autoritário: “Ora muito boas tardes, faxavor de comunicar a ocorrência”. O xô Américo gosta da sua profissão. Gosta especialmente da sua fardeca e de saber que se um “magano” (como lhes chama), o atacar na rua e ameaçar de morte tem dois futuros à escolha: A dita morte ou a prisão por legítima defesa com a sua arma do tempo da 2ª grande guerra mundial.
Não sei como querem que hoje em dia se combata o crime com armas inferiores às que os bandidos nos empunham. É tal e qual como combater uma espécie bacteriana com um antibiótico ao qual essa espécie já ganhou resistência. O que é que acontece normalmente a estas espécies? Tornam-se cada vez mais resistentes e formam novas estripes contras as quais não podemos combater. Então, de que é que estão à espera? Que se fabriquem armas nucleares na garagem da tia Arminda? Sim, por este andar qualquer pessoa vai ter em casa a sua arma, muito superior à dos nossos agentes protectores. Qualquer dia temos um polícia a bater-nos à porta a pedir uma arma de fogo porque a sua não dispara. Vou assaltar bancos com umas bazucas que posso comprar nas lojitas de fronteira em Espanha. Normalmente encontram-se ao pé dos carrinhos para bebé e dos chocolates com amêndoa.
Mas acho que não consigo assaltar nada! Tenho medo que venha de lá o Xô Américo, cavalgando em largos passos, estremecendo o solo e agitando a gelatina, com o botão da camisa a desapertar de esforço e que me mostre uma pistolita que se perde no cano da minha bazuca. Mas pobrezinho, não quero dar-lhe esse trabalho…
No entanto, penso que Américo não se queixa da sua vida. Gosta de se sentir importante e de saber que quando chega a casa, a sua Maria já lhe preparou uma opípara feijoada para lhe aconchegar a barriguita que se debruça das calças como se de uma varanda se tratasse. “Ai Maria, Maria… isto ‘tá bom é para maganos”. E a Maria sorri, faz uma festinha carinhosa no seu “home”, que trabalha muito, coitadinho! Todo o dia a roçar o rabiosque num banco esquadra, bem que precisa de um descanso. Mas tenho pena do “xô” Américo que até se esforça por manter a esquadra organizada. Muita organização e pouca acção. Mas também… de asas cortadas, duvido que o “xô” Américo e o resto dos “xôs” colegas possam voar para muito longe…
sábado, março 26, 2005
Revolta e dor de cotovelo
Pois bem, estava a passear no fórum de um amigo meu, o fórum Coimbra que tem feito imenso sucesso (visitem em www.forumcoimbra.com) quando me deparei com um tópico sobre os médicos e as malfadadas médias que parecem assustar muito boa gente. Criticaram os que lá entram, os professores e os actuais profissionais. Ás vezes pode até haver razão. Só não entendo esta aversão descomunal à classe médica por parte das outras pessoas. Quando estão perto de um prestam-lhe quase vassalagem. Nas costas é o que é. O que me levou a dar uma resposta que incluo aqui, neste post.
Pois isso de criticar é tudo muito bonito mas para quem não está no meio! Houve realmente um Professor e não uma Professora que se referiu aos alunos como "nata da sociedade" e não como elite. Mas vai tudo dar ao mesmo e discordo plenamente. Eu estava nessa aula! Não me sinto mais ou menos nata por estudar na Faculdade de Medicina, em Medicina Dentária. Que me deu muito trabalhinho a lá entrar, deu. E é mesmo por vocação que lá estou. Pelo menos até agora que as notas não são grande coisa à excepção das práticas! Acho que é necessário o mínimo para entrar em Medicina. Temos experiência dos alunos que entram com estatutos de alta competição e depois estão ANOS para sair do primeiro ou segundo ano. E isto porque a exigência daquela Faculdade é estúpida no que diz respeito, principalmente, aos primeiros anos do curso. Acho que é muito de louvar o trabalho de um médico. E quando se fala de negligência irrito-me. Ás vezes é mesmo por "não quererem saber" porque n têm vocação, porque se estão nas tintas para a profissão. Outras são erros humanos mm "sem querer". Uma empregada doméstica não parte louça? Um professor não diz bacoradas numa aula? Um mecânico não rectifica mal um motor? E acham que queriam? Que o fizeram de propósito? O pior é que um médico tem a responsabilidade que mais ninguém tem. Tem uma vida nas mãos. E quando o erro é por ele cometido cai tudo em cima. Mas chamar elite é que não! Quero deixar bem claro que não concordo com rótulos desses principalmente por ir pertencer "à classe". Mas a verdade é que não há mais profissões que tenham o risco que esta tem... vida das pessoas. Por isso há k louvar o trabalho e a CORAGEM dos médicos. Os que verdadeiramente se entregam à profissão. Porque maus profissionais, há em todo o lado. E o que se fala das médias a maior parte das vezes é pura dor de cotovelo. Conheço muitos alunos daquela faculdade e sei que uns vão ser muito melhores que outros. Sei de outros que são más pessoas que deviam enfiar-se num laboratório e não contactar com ninguém. Mas isso, há em todo o lado!!! Ou já se esqueceram de como são tratados nos serviços públicos em que os funcionários só mostram má cara porque quando as pessoas lá aparecem têm que mexer o rabinho para alguma coisa? Há maus engenheiros, maus advogados, maus economistas e maus agricultores... também devíamos ir cobrar-lhes por não terem vocação, não acham?
segunda-feira, março 21, 2005
Publicidade Enganosa
É simplesmente uma vergonha. Ou então algo pior do que isso mas como não gosto de dizer palavrões fico-me mesmo pela vergonha, desonra, ofensa, ultraje, escândalo, afronta e desconsideração que o nosso novo primeiro-ministro tem, em relação ao seu país. Ou isso ou então nunca pensou ter competência para ganhar as eleições. E se foi isso também lhe digo que a sua capacidade de raciocínio está descurada uma vez que quanto a esse resultado só não acertou a pomba gira.
Com que então ia haver um aumento para as pensões mínimas… com que então os rendimentos eram miseráveis e “como é que as pessoas conseguem viver com 150 euros por mês?”… com que então ele ia ser eleito e assim que o fosse iria melhorar a qualidade de vida dos pobrezinhos… mas só aqueles com idade superior a 80 anos… O quê? Em campanha não disse isso? Olha pois não… ia lá agora dizer que as pensões iam só ser aumentadas a quem tem a idade superior à esperança de vida média em Portugal…
Era apenas uma alínea, como aquelas dos seguros de vida: Não aplicável em: a) morte natural, b) por afogamento, c) por doença, d) por cair das escadas abaixo, e) por atropelamento f) por acidente de viação e por aí fora… enfim… mais um caso de publicidade enganosa. E se começamos por aí, estou para ver o que demais enganoso aí vem.
Mas será que ninguém pára para pensar nas pobres pessoas que ficaram entusiasmadíssimas com a promessa e com a eleição do prometedor? Nos velhotes que já contavam com uma mesa mais farta? Nos problemas psicológicos que a falta a este compromisso lhes pode trazer? Mas brinca-se assim com os sentimentos, com o pão da boca das pessoas, por si só, já desprotegidas?
Eu bem sabia que não se podiam tirar coelhos da cartola porque ninguém aqui se chama Harry Potter e as personagens de ficção ficam, infelizmente, sempre no papel, no ecrã, ou na imaginação das pessoas. O pior é que estes personagens podem ser criados e a mente humana é muito fértil e é facilmente burlada. E os portugueses “comem e calam” como já vai sendo uso por terras lusas. Heróis do mar de outros tempos, nobre povo de outras vozes e nação valente com o rabinho entre as pernas…
sábado, março 19, 2005
Those Sweet Words
by Norah Jones
What did you say
I know I saw you saying it
My ears won't stop ringing
Long enough to hear
Those sweet words
What did you say
And now the day
The hour hand has spun
Before the night is done
I just have to hear
Those sweet words
Spoken like a melody
All your love
Is a lost balloon
Rising up through the afternoon'
Til it could fit on the head of a pin
Come on in
Did you have a hard time sleeping
'Cause a heavy moon was keeping you awake
And all I know is I'm just glad to see you again
See my love
Like a lost balloon
Rising up through the afternoon
And then you appear
What did you say
I know I saw you saying it
My ears won't stop ringing
Long enough to hear
Those sweet words
And your simple melody
I just have to hear
Your sweet words
Spoken like a melody
I just wanna hear
Those sweet words
domingo, março 13, 2005
Gostas de me magoar? Gostas de sentir que fico triste com cada maldade que me dás? Ao contrário de tudo o que dou de mim, para que fiques sempre bem…mesmo que seja para, por breves instantes, conseguir ver-te sorrir… e, de repente, sem saber porquê, recebo uma resposta torcida, uma frase infeliz que acaba com o meu dia… Porque veio de ti e porque acho que não mereço. Porque tento nunca fazer-te mal, errar contigo… e tu não hesitas em magoar-me… não te custa…e às vezes pergunto-me se vale a pena…
Mas só de estar assim, angustiada, atormentada a cada minuto que passa, penso que talvez valha a pena, pelo que sinto que é colossal, desmedido e não dá para quantificar nem qualificar… Talvez dê valor demais ao que se chama “amizade”. Mas só sei ser assim…
sexta-feira, março 11, 2005
Gosto de ficar assim. Sentar-me ao pé de ti e sentir cada fôlego teu perto de mim. Saber que faço parte de ti intermitentemente. O meu ombro colado ao teu. Parte da minha perna na tua… e fico assim estulta, queda, à espera que esse momento ébrio nunca acabe...
Pego na tua mão – como ela completa a minha! – Descubro cada aspereza, tal amenidade, e aperto-a para não me escapar. Sou tua! Como sou… E o teu olhar encontra o meu sem que pense em mais nada senão em ti, mesmo quando olho o infinito e tento sair dali contigo. Beijo o teu pescoço, a tua face… qual brandura… e queres mais, sempre mais. Que te abrace, que te prenda nos meus braços para sempre. Que olhe para ti e te proteja como tu a mim. Nunca pensei sentir-te tanto. Nunca…
Inclinas o teu corpo para o meu, sempre tu, e sinto um ardor gélido no meu peito inconfundível. Sim, és tu perto de mim. A tua essência que me domina, os teus braços que me enfraquecem, a tua mansidão que me agua os olhos.
Beijo-te… sim, agora perto desses lábios que foram sempre meus, sedentos do rubro que se detém em mim. Queres, sempre quiseste… como é permissível que te ame desta maneira impossível? Não te quero, afasto-te, expulso-te, brado-te todos os meus medos. E no entanto, é o teu amor que procuro…
terça-feira, março 08, 2005
Ah, miúdas! Quem bem que me fazem os ensaios. Entrar naquele elevador manhoso e começar a ouvir as vossas vozes, chegar à sala, receber abraços, sorrisos e sentar-me no chão frio do longo corredor a fazer música, sonhos, ter explosões de felicidade só porque descobrimos mais um acorde de uma banda sonora qualquer que não sai da nossa cabeça.
Formar a meia lua e gritar FORÇA TUNA! enquanto vibramos com o nosso hino… fazer a voz de cima, a voz de baixo, a voz errada e rir disso como se fosse a melhor piada do ano… ser TUNA só porque sim, porque um dia pensei “oh, eu até gosto de cantar!” sem saber que o que eu gosto mesmo é ser da TFMUC!
domingo, março 06, 2005
Ás vezes acho que não sei nada de mim. Não me alcanço. Espero coisas diferentes e reacções distintas. Espero sofrer por algo e acaba por me fazer melhor, espero ficar muito feliz com outra coisa e acaba por me ser indiferente. Se nem eu própria consigo prever as minhas acções e reacções, como posso esperar que outra pessoa o faça?
Por isso não percebo as mulheres que esperam, invariavelmente, que os homens adivinhem o que querem… como um e-mail que recebi outro dia e já todos vocês já devem ter visto: “É por causa daquilo que eu pensei e não disse e devia ter dito a pedir desculpa pelo que não fiz mas devia ter feito?” – frase de um homem confuso a uma mulher amuada.
Tudo para dizer que estou absolutamente atónita com a minha reacção, estado de espírito, em relação a certas vicissitudes da vida…
Antes assim…
sábado, março 05, 2005
Bruno Miguel
"Faz Assim"
Era tão estranho
te olhar dentro dos olhos
e ver na minha frente
tudo que eu sempre quis
eu era diferente
dos outros caras de vinte anos
você era uma chance
para eu ser feliz
eu era simplesmente
mais um cara apaixonado
e no seu coração não ia ser ninguém
mas é exactamente
quando a gente tá cansado
que o coração distrai
entao a sorte vem
faz assim
te dou meu telefone
você me diz seu nome
e a gente então se vê
não faz assim
não diz que vai ligar e some
me deixa ser seu homem
e vem a ser
uma mulher
para mim
Quando é que me encontras?